sábado, 18 de agosto de 2012

freestyle...

Mundo racialista de bosta
Eu podia ser teu filho
Mas segui outra proposta
E o que a TV mostra?
Estatísticas, amostras
Daquela piedade que todo riquinho gosta
Nasci loiro, de olhos azuis
Na América branca
Podia até ter sido aquele boyzinho
Que vive de herança
Mas brinquei com os pés no chão
Só andava de latão
Jogava bola até tarde
O meu pé teve cascão
Eu nunca tive uma mansão
Aprendi a humildade
Brincava com preto, branco
E prezava a igualdade
Nesse país de bosta que não dá escolaridade
Onde apanha o estudante
Não respeita o senhor de idade
Acendo um beck, viajando
Fico olhando a paisagem
Nessa cidade tão bonita
Que só vende a sua imagem
Que traz gringo, mostra a ponte
Bonito ponto turístico
Diz que é a ilha da magia
E que tem seu lado místico
Então floripa, mostra a cara
Me diz quem é você
Onde o pobre tem que sofrer
Pedir ajuda na TV...

sábado, 19 de maio de 2012

Reflexões de Jimmy Wilshere

O relógio da torre matriz da cidade bate, grande barulho se faz nas ruas, já é meia noite. Jimmy Wilshere se encontra nas ruas de sua velha Londres deserta. Não sabe muito bem o que fazia a essa hora na rua, não havia ninguém, não havia nada, só ele, um cigarro e pensamentos que o levavam além daquele lugar. O garoto viu a própria Morte, não fazia muito tempo... A velha Morte não perdia seu hábito de pregar peças nos vivos, sempre mostrando que ela estava presente, um pouco narcisista e desejosa de atenção era ela, mas que deus não era assim? Ele pouco ligava para isso, via a face do demônio diversas vezes em sua vida, pouco ligava pra exibida Morte e seus avisos nefastos... A vida já não lhe fazia muito sentido, após adquirir muito conhecimento, Jimmy já não pôde voltar atrás e se conformar com o mundo ao redor como fazia em sua infância, tudo o revoltava, tudo o enojava, a briga por poder, desses malditos e medíocres seres humanos, lhe fazia ter poucas esperanças na humanidade, na Inglaterra, como em qualquer país do mundo, deus é uma nota de cem. Seus pensamentos iam além: Precisamos pagar por moradia em um lugar que não escolhemos nascer, precisamos pagar por sair deste lugar e somos vistos com maus olhos quando viajamos para um pedaço de terra diferente do nosso. O ser humano chegou a um ponto tão patriota de pensar que qualquer ser que nasce em um pedaço de terra diferente do seu é inimigo, maldito ser humano, maldita insapiência... Jimmy pensa agora naqueles que partilham de sua opinião, mas que dela não divulgam. Maldita omissão que mantém estes governos viciosos que convivemos... Então parte para casa, sempre pensando, sempre arquitetando ideias revolucionárias, o garoto some em meio à névoa londrina, talvez um dia esta situação em que vivemos mude, talvez...

sábado, 5 de maio de 2012

Encontro sombrio com a velha Morte

Era mais uma fria madrugada de julho, mais um dia que poderia ser cortado da existência, até que aconteceria algo anormal. Jimmy Wilshere passava pela desértica Waterloo, já às cinco horas da manhã. A dor percorria seu corpo. Doença de família talvez, ou excessivo descuido com seu corpo, não sabia dizer, só sabia que morria aos poucos e já não se queixava tanto deste fato. Eis que surge um misterioso vento, que soprava lentamente diante das já desfolhadas àrvores da praça. Jimmy não ligou, talvez nem escutou ou simplesmente ignorou o sombrio vento, acompanhado de misteriosos uivados que vinham ao fundo. Os uivados se aproximavam e Jimmy já sentia um tom estranho no ar, desejava estar seguro, como poucas vezes desejou estar em sua vida, mas também pensava na possibilidade de ilusão causada pelo uísque que acabara de tomar. A noite é o lugar do sombrio, do nefasto, do misterioso, como já ouvira desde criança, mas ele estava ali, novamente, desafiando todo o senso comum, recheado da contracultura que tanto defendia. Sombras e pessoas estranhas passavam ao longe e aquele vento sombrio só aumentava de tom. Jimmy já não se sentia seguro, já tremia, já temia. Sente algo lhe tocando os ombros, então seu corpo se congela,  fica estático, vira e vê um rosto extremamente magro, pálido, de sorriso nefasto e longo capuz negro, segurando uma grande foice, a Morte se apresentava ao jovem rapaz. Não queria levá-lo, a velha Morte gostava de assustar esses pobres humanos. Pobres seres que se acham o centro do universo, que brigam pelo domínio de um pedaço de poeira no brilhante show de luzes universal. A velha Morte riu do desprezo do garoto pela vida, ao olhá-la, Jimmy já não tinha muito o que fazer, correu, assustado, para o mais longe que alcançasse. E a Morte, teria corrido atrás dele? E por qual motivo faria isso? Queria apenas assustar o jovem rebelde, mostrá-lo que ela existia, que ele não era um ser imortal e que se continuasse a ser ignorada, daria seu sombrio beijo no jovem rapaz. A velha Morte desapareceu nas sombras de Waterloo, e que outros não duvidem de sua existência...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Odiosa existência humana

Uma xícara de café, por favor, e uma carteira de cigarro - saía de mais uma noite fria e solitária. No caminho, acende um cigarro e vê casais, famílias, pessoas felizes. Invejava tanta felicidade, ao mesmo tempo que não a compreendia. Nunca entendera o que quer dizer ser realmente feliz. Nascido numa família desestruturada e com muitas frustrações durante a sua vida, Jimmy Wilshere vivia se perguntando porque não morria logo, qual a razão de sua maldita existência. Enquanto isso caminhava pela nevada Londres no que seria talvez o dia mais frio do ano. Quando passa em uma praça e vê pessoas se espetando com agulhas. Não teria ele chegado a esse ponto, mas provavelmente estara muito perto, entendia a dor daquelas pessoas. Entendia a visão das drogas como válvula de escape, única alegria neste mundo frio e cruel. Bem, enquanto isso, termina seu café e acende mais um cigarro, procurando fugir deste mundo, torce pra não acordar amanhã. Ah, amanhã, mais um dia, mais um maldito dia...

sábado, 7 de abril de 2012

Doença da vida

E passa seus dias torcendo pra eles acabarem. Acorda já pensando em se deitar e completar mais um maldito dia respirando. Não, a vida já não faz sentido, se é que um dia já fez. Já viveu tanto, já fez tanto, hoje já não tem vontade e nem sapiência para acordar e viver como qualquer um. Olha pra si mesmo, vendo sua vida medíocre, com a nova novela passando na televisão. Pergunta-se, qual sua doença? A vida meu caro, a vida...

terça-feira, 20 de março de 2012

St. Jimmy

Há um sol escaldante lá fora. Foda-se, pensa. Com sua velha camisa do sex pistols e um cigarro, começa a escrever, trancado em seu escuro e sombrio quarto. Pensa em tudo, sua eterna depressão, o maldito mundo que o rodeia, as tantas incoerências dos seres humanos... Enfim, pensa tanto que as palavras se esgotam, as frases lhe fogem. Olha pelo pequeno buraco na janela, vê pessoas tristes, pessoas com pressa, pessoas entediantes, vê a natureza grotesca humana, natureza que não suportara, mas que fazia parte. Nem isso lhe inspirava, pois normalmente o grotesco e o depressivo servem de inspiração aos mais nobres poetas. Teria acordado feliz, este maldito placebo chamado felicidade que o impedia de poetizar algo que prestasse... Mas acalme-se jovem poeta, ao contrário da depressão e da natureza fétida humana, essa felicidade passa. Seu nome é Jimmy, obscuro e inquieto como qualquer gênio...

sábado, 3 de março de 2012

Encontro com a velha Liberdade

Andando pela rua
Vi na margem da estrada
Uma senhora pobre e nua
Parecia-me abandonada

Cheguei perto e lhe perguntei:
-Quem és tu velha dama
Que aqui se encontra nesta lama?
-Caro moço - respondeu-me - Já não sei...

...Não mais me chamo como antes
Fui a bela liberdade
Há muito triunfante
Desiludida, já não sou verdade

Homens maus me dominaram
Os líderes de teu povo
Por direitos me trocaram
Se te conto esta história de novo
É pelo sangue daqueles que me amaram

O capital se tornou seu dono
Triste foi este dia
Só espero acordar deste sono
E viver novamente a justa anarquia...