domingo, 30 de setembro de 2012

Queimando a revolta...

Um papel vazio e uma vida morta. É isso, é tudo isso que preciso. Na verdade, apenas do papel, a vida morta o sistema se encarregou de nos dar. Eles te dizem que existe um caminho pra felicidade, Vamos meu rapaz, estude, não desista, ganhe dinheiro, guarde dinheiro, não use drogas, não brigue, use camisinha, seja sociável... Hipócritas. Isso é o que se chama felicidade hoje em dia meus caros, tudo aquilo que lhe tira a liberdade de ser você mesmo. Você não nasceu para obedecer, não nasceu para mandar, não nasceu para ser escravo do sistema, você só nasceu, o sistema se encarregou do resto. E é isso, somente isso que nos prende, que nos faz inimigos da nossa própria espécie, que faz um matar o outro, o maldito sistema, o maldito dinheiro, a merda da religião, tudo interligado. Sabendo disso, uma coisa tão simples, você pode pegar dois caminhos: ser um filho da puta e usar o sistema a favor de si para dominar o próximo, ou simplesmente se deprimir. É isso mesmo, se deprimir. É deprimente perceber que faz parte de uma minoria conscientizada, é deprimente saber como funciona toda essa bosta e não poder fazer muita coisa, enfrentar gente poderosa, ver que podíamos ser a maioria, mas saber que a maioria é manipulada, o negócio é se deprimir, mas nunca se calar, não ter vergonha de ser minoria, manifestar sua raiva, criar inimigos, já que o sistema quer isso, ela vai ter, mas vai ter contra ele.

domingo, 23 de setembro de 2012

Malditos anjos

Qual é o melhor momento para um conto sobre o amor? Não se sabe, não se deveria. Até porque a própria morte, seca e sincera morte, é mais digna de lembrança que esta droga viciante e mais nociva entre todas, que se chama Amor. Egoísta sim, podemos dizer que seja, afinal o Amor é um anjo, que visa apenas satisfazer um amo, pouco se importa com aqueles a que não lhe interessa. Digo anjo sim, pois estes são mais nocivos e injustos que os demônios, que talvez sejam apenas aedos de uma verdade nua que os homens não suportam. Os anjos não, malditos enganadores, fingem que lhe salvam a alma com este papo de amor e sentimentos baratos que só iludem aqueles que se deixam levar. O Amor é o anjo mais cruel, mais impiedoso. Muitas vezes sim, faz seu trabalho corretamente, mas ele jamais trabalha sozinho. A Distância, cruel, quase tanto quanto o Amor, trata de completar seu maléfico trabalho angelical. Talvez isso tudo seja parte de um divertimento, um grande reality show em que somos observados por um sádico filho da puta ou talvez eu só esteja chapado, tanto faz...

domingo, 9 de setembro de 2012

A mente que vence a morte

O suor lhe escorre pelas mãos, mas este nervosismo logo passaria, logo não sentirá mais nada, apenas o seu cérebro continuará trabalhando. A vida não pode ser cruel, apenas pode ser fria, pouco se importar com sonhos ou sentimentos pessoais, apenas passar, escolher seus favoritos aleatoriamente e deixar o restante a morrer aos poucos. A morte é sim um final, que é apenas vencida pela mente humana. Poderosa máquina, a mente humana pode resistir até um minuto após a decapitação. Lá estava Jimmy, a pensar após ter sua cabeça arrancada pelo corpo. Não fora opção sua este triste fim, mas nada havia de reclamar, afinal jamais vivera como quis. Queria ser escritor, talento tinha, oportunidades não teve nesta vida que não lhe escolheu como seu favorito, neste mundo que poucas oportunidades dá para talentosos artistas, preferindo falsos moralistas e espíritas hipócritas. O amor também jamais lhe servira do melhor modo, encontrara por diversas vezes mulheres que lhe eram compatíveis ao estilo de vida e pensamentos, mas este sentimento humano tão ingrato sempre lhe pôs a apaixonar-se pelo pior tipo de mulheres, enganadoras e interesseiras, como ele próprio, sem nenhuma hipocrisia, fora com outras. Era sonhador e procurava defender sempre a quem estivesse sendo oprimido, mas por ironia do destino, lhe fez cair nas mãos de pobres vítimas da segregação social, que agora lhe cortavam a cabeça por dinheiro, maldita sobrevivência que o sistema capitalista colocara acima de sonhos ou qualquer tipo de piedade humana. Jimmy já passava a não sentir mais nada, os pensamentos já lhe iam fugindo, a vida ria de sua cara enquanto se afastava, a morte vinha com sua túnica preta e sorriso maldoso, pobre vítima do destino, vítima do mundo que nunca se preocupou com compaixões, vítima da cadeia alimentar humana, ordenada pelo capital, pelos sentimentos cegos e sonhos não realizados. Talvez não seja de tão ruim lhe terem arrancado a cabeça para neste valioso minuto, entender que esta vida já não valia a pena.

sábado, 18 de agosto de 2012

freestyle...

Mundo racialista de bosta
Eu podia ser teu filho
Mas segui outra proposta
E o que a TV mostra?
Estatísticas, amostras
Daquela piedade que todo riquinho gosta
Nasci loiro, de olhos azuis
Na América branca
Podia até ter sido aquele boyzinho
Que vive de herança
Mas brinquei com os pés no chão
Só andava de latão
Jogava bola até tarde
O meu pé teve cascão
Eu nunca tive uma mansão
Aprendi a humildade
Brincava com preto, branco
E prezava a igualdade
Nesse país de bosta que não dá escolaridade
Onde apanha o estudante
Não respeita o senhor de idade
Acendo um beck, viajando
Fico olhando a paisagem
Nessa cidade tão bonita
Que só vende a sua imagem
Que traz gringo, mostra a ponte
Bonito ponto turístico
Diz que é a ilha da magia
E que tem seu lado místico
Então floripa, mostra a cara
Me diz quem é você
Onde o pobre tem que sofrer
Pedir ajuda na TV...

sábado, 19 de maio de 2012

Reflexões de Jimmy Wilshere

O relógio da torre matriz da cidade bate, grande barulho se faz nas ruas, já é meia noite. Jimmy Wilshere se encontra nas ruas de sua velha Londres deserta. Não sabe muito bem o que fazia a essa hora na rua, não havia ninguém, não havia nada, só ele, um cigarro e pensamentos que o levavam além daquele lugar. O garoto viu a própria Morte, não fazia muito tempo... A velha Morte não perdia seu hábito de pregar peças nos vivos, sempre mostrando que ela estava presente, um pouco narcisista e desejosa de atenção era ela, mas que deus não era assim? Ele pouco ligava para isso, via a face do demônio diversas vezes em sua vida, pouco ligava pra exibida Morte e seus avisos nefastos... A vida já não lhe fazia muito sentido, após adquirir muito conhecimento, Jimmy já não pôde voltar atrás e se conformar com o mundo ao redor como fazia em sua infância, tudo o revoltava, tudo o enojava, a briga por poder, desses malditos e medíocres seres humanos, lhe fazia ter poucas esperanças na humanidade, na Inglaterra, como em qualquer país do mundo, deus é uma nota de cem. Seus pensamentos iam além: Precisamos pagar por moradia em um lugar que não escolhemos nascer, precisamos pagar por sair deste lugar e somos vistos com maus olhos quando viajamos para um pedaço de terra diferente do nosso. O ser humano chegou a um ponto tão patriota de pensar que qualquer ser que nasce em um pedaço de terra diferente do seu é inimigo, maldito ser humano, maldita insapiência... Jimmy pensa agora naqueles que partilham de sua opinião, mas que dela não divulgam. Maldita omissão que mantém estes governos viciosos que convivemos... Então parte para casa, sempre pensando, sempre arquitetando ideias revolucionárias, o garoto some em meio à névoa londrina, talvez um dia esta situação em que vivemos mude, talvez...

sábado, 5 de maio de 2012

Encontro sombrio com a velha Morte

Era mais uma fria madrugada de julho, mais um dia que poderia ser cortado da existência, até que aconteceria algo anormal. Jimmy Wilshere passava pela desértica Waterloo, já às cinco horas da manhã. A dor percorria seu corpo. Doença de família talvez, ou excessivo descuido com seu corpo, não sabia dizer, só sabia que morria aos poucos e já não se queixava tanto deste fato. Eis que surge um misterioso vento, que soprava lentamente diante das já desfolhadas àrvores da praça. Jimmy não ligou, talvez nem escutou ou simplesmente ignorou o sombrio vento, acompanhado de misteriosos uivados que vinham ao fundo. Os uivados se aproximavam e Jimmy já sentia um tom estranho no ar, desejava estar seguro, como poucas vezes desejou estar em sua vida, mas também pensava na possibilidade de ilusão causada pelo uísque que acabara de tomar. A noite é o lugar do sombrio, do nefasto, do misterioso, como já ouvira desde criança, mas ele estava ali, novamente, desafiando todo o senso comum, recheado da contracultura que tanto defendia. Sombras e pessoas estranhas passavam ao longe e aquele vento sombrio só aumentava de tom. Jimmy já não se sentia seguro, já tremia, já temia. Sente algo lhe tocando os ombros, então seu corpo se congela,  fica estático, vira e vê um rosto extremamente magro, pálido, de sorriso nefasto e longo capuz negro, segurando uma grande foice, a Morte se apresentava ao jovem rapaz. Não queria levá-lo, a velha Morte gostava de assustar esses pobres humanos. Pobres seres que se acham o centro do universo, que brigam pelo domínio de um pedaço de poeira no brilhante show de luzes universal. A velha Morte riu do desprezo do garoto pela vida, ao olhá-la, Jimmy já não tinha muito o que fazer, correu, assustado, para o mais longe que alcançasse. E a Morte, teria corrido atrás dele? E por qual motivo faria isso? Queria apenas assustar o jovem rebelde, mostrá-lo que ela existia, que ele não era um ser imortal e que se continuasse a ser ignorada, daria seu sombrio beijo no jovem rapaz. A velha Morte desapareceu nas sombras de Waterloo, e que outros não duvidem de sua existência...

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Odiosa existência humana

Uma xícara de café, por favor, e uma carteira de cigarro - saía de mais uma noite fria e solitária. No caminho, acende um cigarro e vê casais, famílias, pessoas felizes. Invejava tanta felicidade, ao mesmo tempo que não a compreendia. Nunca entendera o que quer dizer ser realmente feliz. Nascido numa família desestruturada e com muitas frustrações durante a sua vida, Jimmy Wilshere vivia se perguntando porque não morria logo, qual a razão de sua maldita existência. Enquanto isso caminhava pela nevada Londres no que seria talvez o dia mais frio do ano. Quando passa em uma praça e vê pessoas se espetando com agulhas. Não teria ele chegado a esse ponto, mas provavelmente estara muito perto, entendia a dor daquelas pessoas. Entendia a visão das drogas como válvula de escape, única alegria neste mundo frio e cruel. Bem, enquanto isso, termina seu café e acende mais um cigarro, procurando fugir deste mundo, torce pra não acordar amanhã. Ah, amanhã, mais um dia, mais um maldito dia...